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Carnaval 2008: criativo Centenário

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Essa é a visão de uma telespectadora e uma estudante de Cultura Japonesa e que trabalha nesta área há pelo menos 10 anos.

São Paulo e Rio de Janeiro, as capitais que possuem os desfiles mais luxuosos e imaginativos do Brasil, não deixaram de lado o Centenário da Imigração Japonesa comemorado neste ano. Não deixaram e não fizeram por menos. Foram duas escolas do Grupo Especial de São Paulo e do Rio e mais uma do Grupo de Acesso paulistano que falaram dos japoneses e seus descendentes no País.

A Escola de Samba Unidos de Vila Maria (SP) veio com um desfile cheio de luxo e referências bem dosadas. Carros alegóricos imensos, sendo um deles o maior do carnaval paulista com 136 metros de comprimento, dividido em três partes e montado minutos antes de entrar na pista. A cartela de cores, a combinação de tecidos e a disposição das alas fez a diferença para a composição da escola. Os problemas de interpretação cultural foram pequenos e quase imperceptíveis. Afinal, não dá para escapar do que "virou moda" no Ocidente: ideogramas de cabeça para baixo ou faltando traços, referências chinesas no lugar de japonesas, etc.

Já a Unidos do Porto da Pedra (RJ) fez um desfile justificado pelo carnavalesco Mário Borrielo como um sonho sobre o Japão. Mas como justificar o injustificável? Lutadores chineses com maquiagem de teatro Kabuki e coreografia que beirava o caricato na Comissão de Frente da escola, deram o tom do que seria o desfile da agremiação carioca. A transmissão feita pela TV Globo só fez piorar o desfile sem sentido. Cléber Machado soltou pérolas como "Os japoneses do norte não entendem os japoneses do sul, pois não conseguem ler o que cada um escreve", provavelmente o jornalista estava se referindo a China de maneira distorcida de qualquer forma.

E sorte que os cosplayers apareceram rapidamente na TV, pois nos poucos segundos, onde pudemos ver Thaís Jussim, Marcelos Fernandes, Petra Leão e Mari, a apresentadora que acompanhou Cléber Machado na transmissão, soltou as pérolas "consplays e consplayers".

Falar sobre uma cultura tão distante da nossa é realmente um desafio dos mais árduos, mas informar-se de maneira correta também não faz mal para ninguém.

As duas escolas mostraram seu estilo. Falaram sobre o centenário de modo que, espero, tenha agradado o público. Em São Paulo, onde o resultado foi anunciado há cerca de uma hora, a Vila Maria ficou em terceiro lugar. Já a Porto da Pedra só saberemos na quarta-feira de cinzas. (Atualizado em 7 de fevereiro: a escola carioca ficou e penúltimo lugar).

Last Updated on Thursday, 07 February 2008 08:58