Home Competições Concurso Latinoamericano de Cosplay Patrícia Scalvi fala sobre YBC e cosplay

Patrícia Scalvi fala sobre YBC e cosplay

E-mail Print PDF
There are no translations available.

Nesta entrevista a atriz, dubladora e diretora de dublagem Patrícia Scalvi fala sobre sua experiência como juíza do prêmio especial de interpretação na final do YBC nos conta suas impressões a respeito das performances da final e do teatro cosplay.

patricia_scalvi_01.jpgO prêmio especial de interpretação foi anunciado pela primeira vez na final internacional da Yamato Cosplay Cup 2007, como um reconhecimento ao cosplayer que apresentasse a melhor interpretação durante o concurso, independente da classificação oficial da competição. A fórmula de sucesso foi então repetida na edição 2008 da YCC Nacional e, mais recentemente, na final do Yamato Brazil Cosplay, concurso que escolheu a dupla de representantes brasileiros para o Concurso Latino-americano de Cosplay.

A juíza escolhida para avaliar a interpretação dos cosplayers dessa vez foi Patrícia Scalvi, e credenciais não faltam à atriz, dubladora e diretora para escolher entre os 24 cosplayers concorrentes aqueles que apresentassem os melhores dotes artísticos. Patrícia trás no currículo mais de 60 peças de teatro, 45 filmes como atriz e 5 como diretora, além de prêmios nacionais e internacionais e experiência de filmagens no exterior. Além disso desde 1976 atua como dubladora para cinema, e desde 1989 dubla para a TV.

O Cosplayers.net procurou Patrícia para que ela nos contasse suas opiniões a respeito do cosplay de forma mais abrangente, e das performances que assistiu na final do YBC mais especificamente. Também não poderíamos perder a oportunidade de pedir a ela que compartilhasse conosco uma pequena parte de seu vasto conhecimento sobre atuação e dublagem, dando algumas dicas aos cosplayers que querem melhorar tantos os aspectos técnicos quanto artísticos de suas performances.

Leia a entrevista completa.

 

Cosplayers.net: Primeiramente gostaria de saber como surgiu o convite para você julgar o prêmio de interpretação, e o que você achou dessa iniciativa?

Patrícia: Sou sempre chamada para eventos pela Yamato. Não fui exclusivamente chamada para ser juri. Fiz um [juri], convidada pelo Denis [ David Denis Lobão, coordenador de eventos e assessor de imprensa da Yamato Comunicações], (estava em um evento e me perguntaram se eu gostaria de participar). Claro que nada é por acaso. Sou atriz desde os 15 anos de idade tendo no curriculum mais de 60 peças teatrais profissionais, e mais de 45 filmes para cinema como atriz, e 5 como diretora, novela em TV. Tenho um prêmio  APCA e outro em Roterdã na Holanda. Filmei no Brasil e no Exterior (Europa). Dublo desde l989 e dirijo dublagem desde 1992 isso dublagem para TV, porque dublagem para cinema eu faço desde 1976, enfim... acho que posso falar um pouco de interpretação.

 

Cosnet: Você já tinha contato com o cosplay antes dessa atuação, certo? No palco do evento você chegou a mencionar que já julgou outros concursos inclusive. Pode nos contar como você conheceu o cosplay e quais as suas primeiras impressões a respeito desse hobby?

P: Bom... Sempre achei muito interessante esse tipo de manifestação (diria que artistica, embora nem sempre as pessoas que atuem saibam disso e achem que é apenas um hobby). Claro que são todos muito jovens e talvez por isso não se dêem conta de que se trata de uma vontade implícita de atuar... de alguma forma. Alguns com mais ou menos talento... é uma linguagem diria que próxima da dublagem, porque não chega a ser criativa totalmente (visto que o personagem está feito, pronto). Mas é necessário muita atenção, perspicácia e observação para se construir (mesmo que já pronto) uma cópia boa do desenho... isso requer talento e também uma certa criatividade principalmente no texto.

 

Cosnet: Você poderia nos contar os critérios que usou no seu julgamento do prêmio de interpretação? O que você considerou mais importante? E o que acha que poderia ser melhorado para tornar as apresentações ainda mais interessantes?

P: Na verdade, usei mais meu instinto em relação a meu julgamento. Sabe aquele olho que com o passar dos anos você adquire por estar atuando há muito no mercado? A expressão corporal é muito importante nesse tipo de interpretação, visto que as falas são gravadas então a expressão vocal, oral,  não é ao vivo, então o peso para mim é maior na expressão corporal e facial. Acho que uma direção mais profissional (desculpe, não sei como funciona isso, quem dirige, enfim) seria legal para melhorar, pois alguns ainda são tímidos, não encaram com força, naturalidade, bom humor o personagem escolhido e uma visão mais crítica e profissional ajudaria muito, fazendo com que os participantes se soltem.

Vi muita gente interessante, por exemplo a dupla da Bahia [ Allan Lustosa e Poliana Xenofontes, classificados no Anibahia], a outra dupla não me lembro o nome, a primeira que se apresentou no domingo (tem foto ai no seu site)[ [[Maurício Somenzari]] e Gerson Freitas, classificados na seletiva online ] que bela roupa, e uma interpretação razoável, faltou um pouco de desprendimento. Se houvesse um diretor mais profissional, eles teriam rendido mais, entende?

A qualidade das gravações de som (ou aparelhagem, não sei) precisa melhorar para a gente entender melhor o que é dito, e porque não também a iluminação? Acho que é necessário fazer ensaios sim, de luz, de som, de espaço no palco para ser utilizado corretamente, com marcas adequadas,  antes das apresentações no local onde vai ser feito, porque você vem com tudo pronto, só que ensaiou em outro espaço e é necessario dar pelo menos uma passada no local (vocês fazem isso? não sei se dá tempo, etc...). Tudo isso pode melhorar e muito o nível das apresentações.

 

Cosnet: Além do concurso, você também teve oportunidade de assistir a apresentação do Teatro Cosplay. O que você achou dessa modalidade que mistura teatro com cosplay?

P: Achei muito legal. Aliás tem uma das meninas que é muito boa... A loirinha (puxa, não me lembro da personagem) [ Paula Porn, que interpretou Hermione] mas ela tem uma expressão corporal riquíssima, cheia de detalhes e o rosto acompanha tudo. Ela faz com vontade e a coisa fica de verdade. Não que os outros não façam, mas ela por conta disso se destaca no meio... e nem é a principal. Quando ela esta em cena fica difícil olhar para outra pessoa. Que pena, não sei o nome dela. Mas é uma menina que deveria se dedicar mais a ser atriz. Tem futuro. Gostei, achei muito legal e poderia ficar ainda melhor. Continuo achando que a qualidade do som e da interpretação precisaria de um pouco mais de brilho (um diretor por perto).

 

Cosnet: Como você deve ter notado no concurso, a grande maioria das apresentações de cosplay hoje é dublada, ou seja: o áudio com as falas é gravado previamente e os cosplayers interpretam no palco sobre esse áudio. Como dubladora e diretora de dublagem, você teria alguma dica para dar aos cosplayers para melhorar esse tipo de interpretação, tanto no momento de gravar o áudio quanto de representar no palco?

P: Exato... como eu disse acima... a gravação tem que ser em estúdio, de preferência um pouco mais profissional e não caseira. Ter uma aparelhagem de reprodução boa. Estudar o texto e ter um diretor para ajudar na gravação para que as falas tenham suas inflexões e intenções corretas, ganhando assim brilho, intensidade e profissionalismo, mas acho que com o tempo tudo isso vai se apurando, não da para querer tudo ao mesmo tempo, mas é bom ir reciclando e apurando, não acha? na medida do possível of course... (risos).

 

 

Last Updated on Monday, 11 May 2009 21:15