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Damien e Isabelle - conheça os vencedores do WCS 2007 PDF Imprimir E-mail
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PiorMelhor 
Por Petra Leão   
31 de October de 2007
Índice de Artigos
Damien e Isabelle - conheça os vencedores do WCS 2007
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13 – Dá para ver que vocês dois têm um ótimo senso de humor. Vocês normalmente fazer só apresentações de comédia ou também fazem algo mais dramático também?

Damien:  Não, eu nunca fiz uma apresentação dramática. E eu posso dizer o porque. Na França (não sei como é em outros países), durante os concursos a maioria das apresentações é como foi o WCS neste ano.
Todo mundo faz apresentações sérias e dramáticas, porque elas são fáceis de fazer. Você pega uma espada, põe a música do Sephiroth ou algo assim, você levanta lentamente sua espada para o céu, ó Deus, isso é maravilhoooso! Mas já foi visto 172 vezes antes de você. A menos que seja feito excepcionalmente bem, e fora de tudo que já tenha sido visto (como a apresentação da dupla do Japão-Nagoya com aquela performance incrível com o Gundam ou a dupla da Coréia), o público vai achar chato.
E o desafio de fazer o público rir é mais interessante do que só querer que eles olhem e digam “Oooh, que carisma! Que cosplay bonito!”. Sabe, penso o mesmo dos filmes. É mais difícil fazer uma boa comédia do que um filme sério que fala sobre coisas dramáticas.

Isabelle: Nós quase sempre escolhemos comédia por dois motivos: primeiro, na França as pessoas não gostam muito de apresentações sérias ou dramáticas. Então se quiséssemos fazer uma, muito provavelmente o público iria ficar entediado logo no começo. E para nós, uma das coisas mais importantes quando subimos ao palco é agradar o público.
Também, como o cosplay não é levado muito a sério na França, nós não conseguimos bons equipamentos ou organização. Freqüentemente acontece dos organizadores perderem ou esquecerem nossas mídias (trilha sonora, vídeo, etc) ou trocá-las com as de algum outro cosplayer, e acabamos ficando sem som nenhum quando subimos no palco, ou então ocorrem outros erros. É muito arriscado fazer uma apresentação dramática, porque se alguma coisa não funcionar, está tudo perdido, e não há como você salvar nada.

 

14 – Contem como vocês se sentiram a respeito do WCS e sua viagem ao Japão. Como foi a experiência?

Damien: Foi... hmm, bem, eu não me lembro, estava muito cansado. Sabe, nossa eliminatória foi no começo de Julho, então nós gastamos uma semana inteira para preparar a apresentação que usamos no Japão, e mais duas semanas (15 horas por dia) para fazer as roupas. Quando chegamos ao Japão, nós estávamos tão cansados que nem percebemos que estávamos lá. Tivemos que fazer coisas o dia todo, sempre correndo de um lugar para o outro, e não tínhamos dormido mais de cinco horas por noite desde o mês anterior.
Quando eu vi que era a mesma coisa no Japão, eu cheguei a chorar. Além disso, como não tínhamos um técnico ou assistente, nem nenhum representante da França conosco, foi mais difícil para nós fazer o que queríamos. Felizmente um repórter francês (Cyril Lambin, o único francês que estava lá) nos ajudou da melhor forma possível.
A viagem ao Japão foi... boa? Bem, eu realmente não me lembro. Na semana seguinte ao evento nós ficamos em um hotel em Tóquio, para encontrar nossos amigos no Togeki, mas eu e Isabelle dormimos por dois dias antes de fazer qualquer coisa.

Isabelle: As três semanas anteriores às eliminatórias foram muito pesadas para nós, e o Japan Expo foi totalmente exaustivo e desmoralizante. Então nós tivemos somente mais três semanas para preparar toda a viagem e a apresentação. Nós estávamos sozinhos, não havia ninguém para nos ajudar. Queríamos fazer outros cosplays, mas tivemos muitos problemas técnicos então desistimos, e isso nos deixou muito deprimidos.
Quando chegamos ao Japão, estávamos tão cansados que nem percebíamos o que estava acontecendo. Nós nos esforçamos além dos limites para continuar sorrindo e dar o nosso melhor. Foi muito, muito difícil.
Eu estou nervosa com os organizadores do Japan Expo porque não teria sido tão difícil se tudo tivesse corrido bem na eliminatória. Nós não teríamos ficado tão cansados e desmoralizados. E se eles tivessem sido mais amigáveis com a equipe da TV Aichi, nós poderíamos ter alguém no Japão.
Entretanto, a experiência no WCS foi ótima, nós conhecemos pessoas com diferentes visões sobre o cosplay e com diferentes habilidades na confecção de cosplays. Conversamos com várias outras duplas, especialmente a de Nagoya (de Gundam), e descobrimos muitas coisas sobre o cosplay ao redor do mundo. Foi uma verdadeira recompensa poder encontrar tantos cosplayers de tão alto nível! A equipe da TV Aichi também foi muito amigável, foi prazeroso e interessante trabalhar com eles. E nós adoramos conhecer Nagoya.
Depois do WCS, ficamos uma segunda semana em Tóquio. Descansamos alguns dias no hotel e então fomos conhecer a cidade. Passamos muito tempo em Akihabara! Jogamos fliperama e compramos vídeo games antigos e mangás hentai! Também fomos a Shinjuku e Harajuku, e compramos roupas e acessórios. Nós definitivamente temos os mesmos gostos, Damien e eu. Também fomos no domingo a Harajuku, próximo do parque, mas não haviam muitos cosplayers por causa do tempo (mais de 40 graus), mas nós encontramos outros participantes do WCS.
Minha impressão geral e sentimentos sobre o WCS e a viagem são bons, mesmo tendo sido difícil. Eu aprendi muito e aproveitei minha descoberta do Japão.

 

15 – Vocês sabem que houve alguma polêmica envolvendo a sua vitória no WCS. Como o fato de vocês terem vencido foi aceito pelos outros cosplayers, tanto no seu país quanto entre os demais competidores? wcs2007_damien_isabelle_025_resize.jpg

Damien:  Ahá! Eu sabia que vocês iriam nos perguntar isso! Todos querem nos ver mortos, certo? Bom, grande coisa! Eu não ligo!
Pelas minhas respostas anteriores vocês devem entender um pouco mais da minha visão do WCS. Antes de mais nada, eu quero dizer algo que é mais importante que todo o resto: nós estamos falando do World Cosplay SUMMIT [Nota do tradutor: Encontro Mundial de Cosplay, quando traduzido literalmente para o português], e não do World Cosplay CHAMPIONSHIP [Nota do tradutor: Campeonato Mundial de Cosplay].
Sim, nós ganhamos, e daí? A prioridade número um do WCS é reunir cosplayers de todo o mundo, para unir uma paixão, para tentar falar sobre a influência da maravilhosa cultura japonesa no mundo. Vocês não acham incrível ver todos esses países, que estão aqui pela paixão?
A final do WCS em Nagoya no dia 5 de agosto existe apenas para mostrar algo ao público, é uma competição de audiência. O WCS não é como uma copa do mundo de futebol, e é uma pena que alguns países estivessem pensando assim.
Se o WCS no Japão dura uma semana inteira (ou mesmo duas), é porque ele é muito mais que uma simples final. Durante a final (que não é uma competição, na minha opinião), nós estamos ao vivo na TV japonesa. Então o que eles querem (o público e a TV Aichi)? Eles querem ver cosplayers que estejam motivados com o que estão fazendo, eles querem ver que estamos felizes por estar lá, eles querem que nós apresentemos ao público alguma coisa muito boa, talvez nunca vista antes.
A dupla Japão-Tóquio fez esse tipo de apresentação, nós também. Nós ganhamos (porque talvez nossos cosplays estivesse melhores que os deles), mas não é estranho que os três primeiros colocados tenham apresentado comédia? Durante as três apresentações, o público estava rindo, encantado, aplaudindo (e dançando conosco), então o público em casa, em frente às TVs, provavelmente estava assim também, então, isso é bom para a audiência.
Nós provavelmente ganhamos porque em cinco anos de WCS, nunca uma equipe fez esse tipo de apresentação maluca, que é uma apresentação normal para nós... Mas talvez por outras coisas também, nossos cosplays talvez não fossem os melhores, mas eram absolutamente como os originais. E a mulher que apresentava o show também falou a respeito do fato de termos tido apenas uma semana para preparar a apresentação.
Eu estava conversando com as duplas chinesa e coreana sobre tudo isso, e eles concordaram com tudo, mas nem todas as outras duplas tiveram a mesma opinião.
De qualquer forma, depois que ganhamos houve três tipos de reação: aqueles que estavam felizes por nós; aqueles que simplesmente não disseram nada, e aqueles que estavam tão bravos conosco que eu achei que queriam nos matar. Pfff, sério, eu não vou dizer os nomes porque eu estou cansado de tudo isso, é muito chato. Eu posso entender que todos trabalharam muito para essa final, mas os resultados estão aí. O júri esse ano preferiu isso, e é só. Não importa se você vence ou não, apenas estar lá já é incrível. Foi por isso que eu parabenizei todas as duplas no final. Após a final, um dos membros do júri nos disse que nossa apresentação foi uma das melhores que ele viu em 20 anos de cosplay no Japão.

Isabelle: O fato é que não sabíamos o que realmente tinha. Um dia depois da final quando vimos as pessoas nos evitando e ficando longe de nós, não entendemos, e não sabíamos como reagir. Ai então pessoas do Brasil começaram a dizer na internet que nós não tínhamos merecido a vitória, mas eles não diziam o porquê, então eu não entendia, e ninguém conseguia me explicar.
Na França, as únicas categorias que existem nos concursos de cosplay são “individual” e “grupo” (algumas vezes também “personagens do Japão” e “personagens de outros países”), mas nada a respeito da apresentação. Muitas vezes as pessoas apenas desfilam no palco. O fato de criar todo um cenário ou gravar uma trilha sonora é bem raro. Somente alguns grupos na história do cosplay na França fizeram isso. E nós somos parte deles. Nós “criamos” um novo estilo há dois anos atrás: cenário com ação e muito humor baseado não na história original, mas em toda a cultura de animação japonesa, com referências também a novelas de TV, vídeo games, cultura em geral, atualidades do mundo - sempre coisas que o público possa entender e se sentir próximo. Faz bastante sucesso e hoje há mais e mais cosplayers que tentam esse tipo de apresentação na França. Então como a equipe da TV Aichi nos pediu, quando fomos ao Japão nós escrevemos algo que pudesse tocar o público japonês. Nós não sabíamos que tipo de conselhos eles tinham dado às outras duplas, e para ser honesta nós nem podíamos imaginar que algo como categorias “livre” e “tradicional” existissem em outros países. Nós só ficamos sabendo disso quando o Cosplayers.net nos explicou. A história do cosplay é diferente em cada país que faz parte do WCS, então talvez seja difícil para a equipe vencedora agradar a todos.

 

16 – O que vocês acham que essa vitória mudou em suas vidas, tanto como seres humanos quanto como cosplayers?

Damien: Bem, quando voltamos à França, nada de especial aconteceu, ninguém liga para o WCS aqui. Nenhuma mídia, apenas alguns sites, alguns amigos e só. Mas a preparação para essa semana maluca de agosto foi um desafio de verdade, mudou minha visão do espírito de competição e me mostrou o quão longe eu sou capaz de ir pela minha paixão. De qualquer forma, a melhor experiência para mim foi conhecer algumas pessoas no Japão que mudaram minha visão da vida em diversos aspectos. É difícil explicar, desculpem, mas de qualquer forma foi uma das minhas melhores experiências de vida. Nossa vitória é apenas nossa satisfação pessoal, e isso é maravilhoso!

Isabelle: (Não respondeu a essa pergunta).

 

Veja a galeria de fotos completa.

 


Entrevista: Petra Leão
Colaboração: Dani Karasawa e Remy
Fotos: Reprodução - arquivo pessoal de Damien e Isabelle

Comentários
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Dani Karasawa   | Manager | 2007-10-29 10:39:28
Bruno Lazzarini - Otima Entrevista!   | IP:189.33.49.xxx | 2007-10-31 23:30:13
Adorei a entrevista com os franceses!
Eles demonstraram que tiveram muita garra ao persistir nas suas proprias ideias e não fazer o que todos fazem.
Além disso, deu pra ver que eles se dedicam e adoram o hobbie de verdade e que querem trazer coisas diferentes a ele.
Passei a admirá-los após a entrevista!
Pedro Henrique da Silva   | IP:200.226.99.xxx | 2007-11-01 15:25:49
Realmente não vi a apresentação (net discada é fogo), mas pela entrevista adorei os franceses.
Quanto a mereceram ou não, isso não importa, os juízes disseram que sim e está resolvido. Agora até eu fiquei curioso para ver o que eles fizeram de comédia.
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