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Conheça Cátia, a Bruxa do 71

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icone_catia.jpgEla participa pela segunda vez do Yamato Cosplay Cup (YCC) e cativa a todos com personagens inusitados, ótimos cosplays e apresentações sempre muito criativas. Nesta entrevista especial sobre o YCC, o Cosplayers.net conversou com Cátia, mais conhecida entre os cosplayers como a Bruxa do 71. Ela nos conta sobre como descobriu o cosplay, e sobre os planos para o futuro, e até nos revela uma grande surpresa.

foto3.jpgMãe de seis filhos, Cátia já trabalhou como faxineira, ajudande geral e até agente funerária. Em menos de um ano ela se tornou uma das cosplayers mais conhecidas no Brasil, participou da final nacional do YCC 2007 e já se classificou para a final de 2008. Além disso, confecciona cosplays para si mesma, para os filhos e também os faz por encomenda.

Em sua lista de cosplays, Cátia tem personagens inesquecíveis, como a Bruxa do 71, de Chaves (personagem que a tornou conhecida entre os cosplayers), Rita Repulsa, Úrsula (A Pequena Sereia, Disney) e Minerva. Segundo ela, o seu favorito (e com certeza de muitos fãs) é a Bruxa do 71, e o cosplay que mais deu trabalho para ser feito foi o de Rita Repulsa, por causa da peruca.

Acostumada a acompanhar os filhos nos eventos, Cátia se dá muito bem com os jovens, e como tem seis filhos de idades diferentes, procura se manter sempre atualizada para poder acompanhá-los. Ela também adora quando é chamada carinhosamente por eles de "mamãe cosplayer".

Pedimos à Cátia que nos contasse sobre sua vida, sobre como se envolveu com o cosplay e como isso mudou seu cotidiano. Leia o depoimento na íntegra, e descubra não só uma cosplayer de talento, mas também um ser humano fascinante e uma bela lição de vida.

 

Bom, me pediram para falar de mim, mas não tenho muito o que dizer. Sou uma mulher comum, só com gostos diferentes das outras pessoas. Umas gostam de dançar, outras de pescar, enfim, coisas que eles dizem normais, mas que para mim não têm a menor graça, pois eu gosto de eventos de anime, de usar cosplay e brincar com a gurizada.

Nos eventos inventamos brincadeiras como quadrilha, "vivo ou morto" nas filas, e eu participo junto com eles. Tenho filhos adolescentes, que gostam de vídeo game, tapete de dança, e me chamam para jogar com eles. No começo fico meio desajeitada, mas depois consigo acompanhá-los e me sinto extremamente feliz. Não me sinto mãe nessas horas, mas sim uma amiga comum, mas tudo isso mantendo limites de respeito e ordem.

foto2.jpgFui casada duas vezes, a primeira durante 12 anos, depois me separei e casei de novo. O segundo casamento durou nove anos, e me deu dois filhos, mas fiquei viúva. A partir daí, a vida começou a ser dura comigo, pois tinha ao todo seis filhos menores e os guris mais velhos começaram a trabalhar desde cedo para ajudar nas despesas da casa, e assim vivemos por anos.

Até que um dia meu filho apareceu com uma novidade: um vídeo game usado que ganhou do patrão, mas que ainda funcionava. Ai começou nosso problema: nossa TV era tão antiga que não tinha a entrada para instalar o aparelho. O vídeo game ainda era um daqueles com cartuchos de memória, lembro até hoje. Eu fazia faxina na casa de senhoras de Rivera (Uruguai) onde morávamos na época, e ganhei uma TV mais moderna que por sorte dava para ligar o bem mais valioso da casa. Enquanto isso, meu filho nos fins de semana ia jogar na VIDEOSAT, uma locadora que ainda existe até hoje em Santana do Livramento.

Meu filho também aprendeu a jogar RPG e nos ensinou, até porque em Rivera e Livramento muito pouca gente conhecia. Ele mestrava batalhas medievais e os irmãos mais velhos e eu éramos os seus parceiros, às vezes, a noite toda. Peguei gosto por essas coisas, pois não tínhamos nenhuma diversão. Isso tudo foi há 15 anos mais ou menos, e depois disso não paramos mais. Meu filho mais velho hoje é professor de inglês, e o que ajudou muito foi ter aprendido nos jogos de vídeo game e cartas.

Então, há 10 anos nos mudamos para Porto Alegre, porque a vida seria melhor para nós. Meus filhos cresceram e se tornaram homens, sempre lidando com jogos e revistas de dicas, RPG e por último jogos on-line. Os eventos começaram há cinco anos. Quando meus guris quiseram usar fantasias fiquei apavorada, nem era carnaval! Que tipo de festa era essa? Nem eles souberam me explicar direito, mas como os criei fazendo roupas em casa em uma máquina de costura que tenho até hoje, me arrisquei e fiz dois cosplays que ficaram lindos! Eram de Dragon Ball.

Eles chegaram em casa contando maravilhas do evento, e como em seguida teria outro, fomos em cinco, dois não tiveram vontade de ir. Quando cheguei em casa contei as maravilhas: vi cosplays lindos e pessoas muito legais, coisas que só tinha visto nas revistas. Então, no evento seguinte fiz cosplays para todos, me deu o maior trabalho, porque não tinha prática e demorava muito para fazer. E isso foi assim durante quatro anos: eu os acompanhava, mas não me divertia, e me sentia uma estranha no ninho.

Até que esse ano, no mês de abril eu resolvi: dessa vez participo. Meus filhos e noras diziam "DUVIDO". Fiz o cosplay de Bruxa do 71, fui ao Café Harajuku e fiz o maior sucesso! Todos queriam fotos e até autógrafos, imagina! Até que uma moça que até hoje não sei quem é me disse "Senhora, por que não se inscreve? Dão prêmios e a senhora vai ganhar!". Ela me acompanhou até lá e me inscrevi. Chegou a hora da apresentação, sem ensaio porque até o momento não tinha programado nada. Desfilei e depois comecei a chamar o Satanás e o Madruguinha. Meu Deus do céu, por que fui fazer aquilo? A galera começou a gritar "Bruxa! Bruxa!". Quando saiu o resultado fiquei meio boba, sem entender nada. Só queria o meu prêmio! Foi quando me informaram que ia viajar para São Paulo com tudo pago, para disputar com cosplayers de todo o Brasil.

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foto1.jpgA partir daí minha vida mudou completamente, fizeram até uma comunidade para a Bruxa do 71 no Orkut. Um dia, com pouco dinheiro, postei nessa comunidade dizendo que fazia cosplays por encomenda. O pessoal começou a aparecer e eu a costurar para eles. Dizem que meus cosplays são perfeitos, e hoje eu consigo contar nos eventos em que vamos os cosplays que faço.

Tenho um namorado, que não tem nada contra eu viajar, usar cosplay e ir a eventos. Ele não se interessa pelo assunto, mas adora animê na TV. Mas ainda faço um cosplay para ele!

Tenho dois cachorros que também usam cosplay, e algum dia vou ver se posso levá-los a um evento. Minhas vizinhas a princípio me achavam estranha, mas nem ligo. Acho que agora se acostumaram e me perguntam como vão minhas fantasias.

O melhor de tudo é que consegui sobrinhos, filhos e até netos por conta dos eventos, e fico muito feliz. Não temos família no Brasil, são todos uruguaios, e aqui somos só nós sete. Éramos carentes de família e parentes, mas agora não somos mais: fazemos parte da família dos eventos.

Eu já fui faxineira, cuidava de idosos, agente funerária e fazia serviços gerais em cemitério. Agora sou uma coisa muito chique que chamam de "Dress Maker", mas só sei que faço cosplays.

Por isso não tenho muita coisa para contar, só o que faço na vida além de cuidar de casa e costurar, cuidar de meus filhos e mexer no computador, que não domino muito mas sei o essencial: MSN, Orkut e Google.

E tem uma coisa que não contei ainda: ano que vem eu e meus seis filhos vamos nos apresentar como A Turma do Chaves, e eu obviamente como a Senhorita Clotilde. Essa será a minha despedida das apresentações, depois do YCC. Só vou participar de eventos e, é lógico, ajudar meus guris fazendo cosplay e dando idéias. Não estou encontrando mais personagens para mim, mas estou satisfeita com tudo o que aconteceu comigo. Foi sensacional.  Não tenho muitas ambições, só quero aproveitar, mas vou caprichar nesse YCC. Quero que fique marcado na minha história.

foto4.jpgNão sei mais o que dizer, minha vida é assim, sem muitas complicações. Levo tudo na brincadeira, para poder viver mais e com qualidade.

Entrevista: Lilithy

Colaboração: Remy

Fotos: Arquivo pessoal e Cosplayers.net.

Última actualización el Jueves 15 de Noviembre de 2007 11:05