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WCS 2008 - Entrevistas: Petra e Aino

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Cosplayers de longa data, a dupla formada por Petra Leão e Alessandra Fernandes é uma das mais competentes atualmente neste hobby. Conheça um pouco mais sobre a história dessas mulheres e veja o que elas estão preparando para a final do WCS Brasil que acontece no próximo mês, em São Paulo.

 

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Nome

Nick

Alessandra Fernandes
Andrômeda Aino

Idade

Mora em

24 anos São Paulo / SP

Formação

Cosplayer há

Estudante de Moda 9 anos

Como conheceu sua parceira para a dupla

Já tinha ouvido falar da Petra desde a época da Revista Animax, mas nos conhecemos pessoalmente acho que na Mangacon 99. Mas só começamos a nos falar anos depois, também em eventos de animê!

Mais informações

Alessandra usou mais de 30 cosplays até hoje e participou de todas as finais nacionais do World Cosplay Summit ao lado de Petra Leão.

Nome

Nick

wcs_ent3c.jpg
 
Petra Leão
Não utiliza

Idade

Mora em

28 anos São Paulo / SP

Formação

Cosplayer há

Licenciada em Educação Artística 11 anos

Como conheceu seu parceiro para a dupla

Em eventos de animê e mangá

Mais informações

Petra já usou cerca de 40 cosplays e participa de eventos desde as primeiras edições que aconteceram em São Paulo. É uma cosplayer esperada pelo público do WCS Brasil.

 

Cosplayers.net - Como vocês conheceram o hobby e como decidiram participar de concursos?
 
Aino: Conheci o hobby a partir de revistas de animê. O interesse de fazer cosplay foi natural, já que eu curtia animê e mangá e sempre gostei de me fantasiar desde criança. Também sempre gostei de teatro. E cosplay junta tudo isso, ne? Participar dos concursos é uma boa oportunidade de apresentar performances (até pouco tempo era a única forma) e também de ver avaliada a sua evolução como cosplayer. O retorno do público é muito gratificante.

Petra: A primeira vez que ouvi falar de cosplay foi na extinta revista Animax, que contava como era esse hobby no Japão. Eu sempre adorei fantasias desde criança, e ficava com muita vontade de fazer algo parecido, mas como na época não haviam eventos no Brasil, nem me preocupava em de fato fazer um cosplay, afinal, não tinha onde usar. Foi então que em 1997 foi anunciado o primeiro evento de animê do Brasil, o Mangácon. Eu decidi que não podia perder a oportunidade de ir de cosplay. E desde então, nunca mais parei!
 
Cosnet - Vocês participaram de todas as edições do WCS Brasil. Como estão os preparativos para o mês de junho?
 
Aino: Bem menos adiantadas do que gostaríamos. A performance está quase 100% montada, mas ainda não tivemos tempo de ensaiar e os cosplays estão praticamente no zero. Acontece que há poucas semanas eu fui convocada para trabalhar num banco para o qual prestei concurso e estou no meio de mudança de estado. Estou vindo morar em São Paulo. Embora isso signifique que agora a Petra e eu poderemos ensaiar todos os dias, atrasou bastante nosso cronograma de manufatura dos cosplays (Até porque nossa costureira "oficial" era no Rio [de Janeiro]!).

Petra: Apesar de termos começado com bastante antecedência, acabou que tudo atrasou por causa de um imprevisto que no entanto, veio para o bem: a Alessandra, que morava no Rio de Janeiro, foi chamada para trabalhar em São Paulo. Por conta da mudança dela, tudo que faríamos no mês de abril acabou não sendo feito. Mas a grande vantagem é que como agora moramos próximas, poderemos compensar todo o tempo perdido. Ensaiaremos com uma freqüência como nunca conseguimos antes!
 
Cosnet - Vocês podem nos contar sobre quais cosplays irão usar na final?

Aino: Continuamos com os clássicos. Desta vez faremos A Princesa e o Cavaleiro. Tava mais que na hora de fazermos Tezuka! E nada mais conveniente que o ano do centenário da imigração! ^^

Petra: Vamos fazer cosplay do animê A Princesa e o Cavaleiro, um projeto que nos deixa muito animadas! Já tinha um tempo que queríamos fazer esses cosplays, por ser um dos mangás/animês mais clássicos, de autoria de Osamu Tezuka, e por ter sido o primeiro animê a de fato passar no Brasil  Só não tínhamos feito até agora porque resolvemos deixar para tentar no ano do Centenário da Imigração Japonesa. Por sorte conseguimos ir pra final desse ano mais uma vez, para realizarmos esse projeto!

 

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Cosnet - Qual a maior dificuldade quando vocês montam suas apresentações? Vocês confeccionam seus próprios cosplays?
 
Aino: Podemos dizer que a maior dificuldade sempre foi ensaiar, porque morávamos em Estados diferentes. Agora que estou aqui em São Paulo, estamos penando pra conseguir uma costureira tão boa quanto a que tínhamos no Rio. Obviamente nenhuma de nós sabe costurar, mas procuramos botar a mão na massa o máximo possível. Escolhemos tecidos com muito cuidado, estilizamos perucas, cuidamos da maior parte dos acessórios. Até porque não confiamos muito de entregar uma imagem do personagem pra uma costureira e dizer "Faz aí". Mas o principal motivo é o envolvimento com a confecção. Quero cada detalhe de um jeitinho específico, criando soluções para coisas "impossíveis" e tudo mais.

Petra: Sobre a confecção dos cosplay, tudo depende muito. Eu e a Alessandra não sabemos costurar, e sempre temos que apelar pra ajuda nesse sentido. No entanto, somos nós quem escolhemos os tecidos, encontramos soluções para os moldes e acompanhamos tudo de perto. O mesmo vale para os acessórios. Tem muita coisa que nós mesmas fazemos, mas quando topamos com algo muito complicado, apelamos para a ajuda de pais e amigos. Antes a nossa maior dificuldade era com os ensaios, por conta da distância, mas agora que isso foi sanado, acredito que a maior dificuldade realmente seja fazer nossas idéias caberem no tempo de apresentação permitido – temos tantas idéias pra tão pouco espaço que inevitavelmente temos que sair cortando tudo depois!
 
Cosnet - Quais aspectos profissionais e/ou outras atividades que vocês exerçam, influenciam suas escolhas de cosplays e apresentações?
 
Aino: A Petra é roteirista de quadrinhos, então quase sempre é ela quem cuida da criação das cenas que apresentamos. Eu tenho uma pequena formação de atriz amadora, e coordeno um grupo de teatro-cosplay, então basicamente crio as soluções cênicas e cuido da parte técnica (som, efeitos especiais) para colocar aquilo que a Petra criou no palco. Criamos juntas os diálogos e os momentos de impacto. Quanto à escolha dos personagens, vai muito do "coração". Escolhemos personagens que a gente goste e que combine com o nosso perfil de alguma forma. Que as pessoas possam ouvir e saber "Ah, são a Petra e a Aino, claro!". O mais paradoxal é que mesmo seguindo certo padrão, a gente acaba surpreendendo. Isso é muito legal! Estamos numa fase de "clássicos". Séries antigas porque somos "cosplayers antigas". (risos) Mas a gente gosta de um monte de outras coisas, o importante é a identificação com os personagens. E no caso do WCS, é claro, também caprichamos na escolha do figurino e das possibilidades de performance.

Petra: Geralmente tentamos encaixar em nossas apresentações obras que admiramos e coisas que gostamos de fazer. Como gostamos mais de animês e mangás mais antigos do que os atuais, geralmente escolhemos fazer cosplay destes como homenagem, até porque é uma forma de chamar a atenção dos fãs jovens de animação japonesa para obras que eles não conhecem e que talvez não iriam atrás por si só. De certa forma, é uma maneira de fazer, no meu hobby, o mesmo que eu fazia nas matérias de revistas informativas de animê e mangá que assinava, onde eu sempre tentava falar um pouco de mangás e animês antigos e como esses influenciaram os quadrinhos japoneses da atualidade. Já no que diz respeito à diversão em si, como disse, gostamos de aproveitar o cosplay para explorar outros recursos dos quais curtimos. Por exemplo, além de nos dedicarmos muito à parte de interpretação, por gostarmos muito de teatro, eu e Aino também gostamos muito de cantar e temos paixão por espetáculos musicais estilo Broadway e Takarazuka. É por isso que geralmente temos seguido essa linha nas nossas apresentações, tentando na medida do possível trazer um pouco disso para o cosplay (se fazemos isso bem, já são outros quinhentos, hehe)
 
Cosnet - Vocês são cosplayers há muitos anos, como vêem as transformações do hobby durante este período? O que o WCS proporcionou como um diferencial para o cosplay no Brasil?
 
Aino: As transformações foram inúmeras! Desde regras de concursos mais justas e imparciais, e jurados mais bem preparados. Até a evolução nas próprias roupas e performances. Praticamente todo ano surge alguém com uma inovação técnica que cria um novo parâmetro. Em 1999, ninguém pensava em fazer cosplays com armaduras, por exemplo, uma simples katana de metal já deixava todo mundo impressionado. Hoje já é possível esperar um show pirotécnico, asas que se abrem e trocas de roupa em tempo real. O WCS trouxe o conceito de show para o universo cosplay. Cosplays alegóricos e performances impactantes. E mesmo fora, em outros concursos, esta é a tendência. O que muita gente ainda não entendeu é que cosplay no WCS é para um público que não sabe o que é cosplay. Por isso, você tem que fazer uma performance criativa e impactante e usar cosplays que chamem a atenção. Em concursos "normais" conta muito mais a fidelidade e a criatividade do que o "tamanho". Por outro lado, há uma pequena parcela de cosplayers que estão redescobrindo o lado cênico e divertido do hobby, através dos teatros-cosplays ou apresentações especiais em que não há competição. Os cosplayers recebem um tempo no palco para criar algo para si e para o público, sem compromisso com premiação. Aí a criatividade rola solta e todo mundo se diverte.

Petra: As pessoas criticam muito a maneira como o WCS é realizado, mas eu gosto muito da proposta do concurso. Por muito tempo o cosplay foi uma coisa “de fãs pra fãs”, o que é bom, mas também cria certa monotonia. O WCS chegou com a proposta de criar apresentações de cosplay que impressionasse principalmente a quem não é super-fã, já que a grande final é para participar de um programa de TV. Por privilegiar principalmente o que diz respeito ao espetáculo, acredito que ele deu uma balançada nos cosplayers que estavam acomodados ou desmotivados. É completamente diferente de fazer cosplay para um público que é intimamente envolvido com o mundo dos mangás, é mais difícil e complexo de impressionar. E por isso mesmo, é um grande desafio.
 
Cosnet - O que vocês esperam da final do WCS - Etapa JBC Brasil 2008?
 
Aino: Acho que teremos o show esperado que vimos nas duas últimas finais. Mas também um maior amadurecimento. Acho que as pessoas viram que não adianta seguir a "fórmula que venceu no ano anterior", e sim que cada um deve fazer o seu melhor. Acho que serão 15 apresentações muito bonitas, criativas e diferentes umas das outras.

Petra: Espero que por ser o ano do Centenário, seja a final mais bem organizada até agora, principalmente no sentido técnico. No que diz respeito aos cosplayers, espero muitas apresentações surpreendentes e empolgantes, pois a cada ano as idéias do pessoal ficam mais refinadas e imprevisíveis. Creio que será uma disputa muito difícil para os cosplayers e muito divertida para o público. Espero também que o clima de amizade e rivalidade saudável que rolou entre os cosplayers nos bastidores dos outros anos se repita, pois é uma das melhores coisas do evento para quem participa dele. Fazer amizade com gente de várias partes do Brasil que você dificilmente conheceria em outra situação é maravilhoso!

Fotos: Arquivo Pessoal 

Última atualização em Ter, 06 de Maio de 2008 15:58