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WCS 2008 - Entrevistas: Bruno e Nathália

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Em entrevista ao Cosplayers.net, Bruno de Castro e Nathália Lélis, dupla classificada no Kodama, evento realizado em Brasília, Distrito Federal, falam sobre cosplay, WCS e contam como consquistaram a vaga para a final brasileira.

Cosplayers experientes, Bruno e Nathália estão em sua terceira final no WCS, apesar de nos anos anteriores terem participado com duplas diferentes. Este ano o caminho para a classificação foi mais tortuoso, e foram necessárias duas viagens interestaduais para que pudessem garantir seu lugar entre as 15 duplas finalistas.

Com persistência e talento, a dupla finalmente conseguiu sua classificação na eliminatória disputada no Kodama. Leia a entrevista onde os dois contam como foi participar das eliminatórias deste ano.

Nome

Nick

Nathália Lelis Thomé de Moura
Lélis

Idade

Mora em

21 anos
Belo Horizonte / MG

Formação

Cosplayer há

Estudante de Nutrição, UFMG
4 anos

Como conheceu sua parceira para a dupla

Nos conhecemos em um fórum de animê em Belo Horizonte, e nos encontros deste mesmo fórum.

Mais informações

Nathália já usou um total de 18 cosplays até hoje e esta será a sua terceira participação na final brasileira do World Cosplay Summit.

 

Nome

Nick

Bruno de Castro Maciel Ribeiro
Phoenix

Idade

Mora em

22 anos
Belo Horizonte / MG

Formação

Cosplayer há

Estudante de Direito
3 anos

Como conheceu sua parceira para a dupla

A conheci em um fórum de animê de Belo Horizonte.

Mais informações

Bruno já usou um total de 11 cosplays até hoje e esta será a terceira participação na final brasileira do World Cosplay Summit

 

Cosplayers.net: Como você conheceu o hobby cosplay e como decidiu participar de concursos?

Nathália: Bem, tive contato com o cosplay em 2004, quando conheci pessoas que o praticavam por meio de um fórum de Sailor Moon no qual eu era moderadora. Achei bacana a idéia de se fantasiar e interpretar personagens de animê e no Animecon do mesmo ano experimentei andar com um cosplay de Super Sailor Mars. A paixão pelo hobby foi imediata e não parei mais.

Bruno: O hobby mesmo em 2003 no Animecon, quando vi pessoas que conhecia fazendo cosplay. Pouco mais de um ano depois estaria fazendo meu primeiro cosplay no Anime Festival, em Santos. Em 2005, subi pela primeira vez no palco, daí em diante não parei mais.

 

Cosnet: Vocês sempre confeccionam seus próprios cosplays? Quais materiais e técnicas vocês preferem para trabalhar?

N: Eu faço questão de confeccionar boa parte do meu cosplay, tudo aquilo que estiver ao meu alcance, por mais impossível que pareça (risos). Infelizmente, eu não sei costurar, então, sempre haverá a costureira para fazer a parte dela. Mesmo assim a costureira jamais vai trabalhar sozinha (risos): tenho que supervisionar tudo, o jeito que ela está fazendo, as medidas que está colocando, se está aparecendo uma costura que não devia, etc. Começo eu mesma escolhendo e comprando todos os tecidos do cosplay. Depois levo na costureira e fico supervisionando. E os acessórios ficam por minha conta. Dou meu jeito, pesquiso técnicas, experimento materiais até ficar do jeitinho que eu quero, pois sou bastante perfeccionista.

B: Por um lado sim, mas toda a parte de costura vai para a costureira. O resto eu e meus amigos fazemos. Nós temos preferência por EVA, Durepoxi, tinta, courino e madeira. São materiais presentes no nosso dia-a-dia quando estamos confeccionando algum cosplay, de quem quer que seja.

 

Cosnet: Quais as principais dificuldades que vocês enfrentam ao montar uma apresentação?

N: A primeira delas, sem dúvida é que nossos horários não batiam e continuam não batendo. Então, temos praticamente as madrugadas, finais de semana e eventuais folgas, dias que milagrosamente não temos aula. Fico de 7h00 às 18h00 na faculdade e as aulas dele começam às 18h00 (risos). É difícil nos encontrarmos, mas a gente dá um jeito. A outra enorme dificuldade foi adaptar para o palco um jogo extremamente lúdico e que ninguém conhece. NiGHTS teve sua primeira versão para o Sega Saturn, um vídeo-game pouco popular no Brasil. Então, temos que em três minutos apresentar todos os elementos do jogo e fazer o expectador se sentir a criança visitante. Quebramos muito a cabeça para chegar ao resultado final.


B: Nossa, muitas, desde pensar em uma apresentação legal até adequar a apresentação no tempo permitido. É todo um processo trabalhoso, editar músicas, passar roteiro, ensaiar, avaliar chances de erro, etc.

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Cosnet: Essa não é a primeira vez que vocês participam juntos do WCS, e já participaram com outras duplas. Como foi trabalhar da primeira vez e como foi reatar para uma nova final?

N: Em 2006 foi tudo muito rápido e funcionou muito bem. Decidimos participar de última hora, foi um trabalhão conseguir fazer o vídeo chegar a tempo nas mãos da JBC. Tivemos que pagar caro para o caminhão dos correios buscar o envelope na casa do Bruno, mas deu tudo certo e fomos selecionados. Lá na final bolamos a apresentação com ajuda dos amigos, ensaiamos um pouco e no palco tudo correu bem, mesmo com o Bruno psicologicamente muito abalado por problemas pessoais. E ainda conseguimos ficar entre as cinco duplas escolhidas! Foi na final de 2006 que descobrimos que a gente se dá super bem no palco. Temos um entrosamento muito bom, sabemos principalmente improvisar. Em 2006, o Bruno esqueceu a coreografia e nem parece (risos). Nós temos nossos problemas como quaisquer bons amigos, mas sabemos resolver de maneira adulta com uma boa conversa. Estávamos brigados por motivos pessoais antes do Kodama, mas reatamos no próprio evento (Sim, a gente foi brigado para lá [risos]) e voltamos melhores do que antes. Esse entrosamento que temos facilita na hora de superar os problemas de uma maneira geral, e fica mais fácil decidir os rumos da apresentação sem maiores discussões. Reatar com o Bruno foi ótimo, mas mesmo assim gosto muito de variar as duplas (Como fiz no ano passado), pois se adquire muita experiência ao trabalhar com outras pessoas e não só com aquelas com quem você está acostumado.

B: A primeira vez foi divertida demais, mas foi meio "aleatória", pois não tínhamos decidido participar de antemão. Foi de última hora que preparamos uma apresentação com a ajuda de amigos, filmamos e mandamos o vídeo para a JBC. Daí em diante pudemos ver que temos bom entrosamento no palco e facilidade em lidar com problemas que podem ocorrer durante todo o processo de montagem até o fim da apresentação. Reatar agora foi muito bom, apesar dos problemas, a gente tem se acertado muito bem e como já disse, temos facilidade em nos entender, não só no palco, mas nas idéias a serem usadas na apresentação, isso ajuda muito.

 

Cosnet: Em 2006 vocês se apresentaram com cosplays de King of Fighters. Há uma preferência por cosplays de video-game?

N: Temos sim. Eu sou uma gamer fanática (risos) e o Bruno também. Jogos me atraem muito pela alta possibilidade de criação que temos nas apresentações. Geralmente por serem vastos, tem muitos elementos que podem ser usados para incrementar a apresentação e você não fica preso a uma cena em específico como acontece com boa parte dos animês. Eu gosto mais de jogos do que animês, em relação a tudo. Tenho uma preferência enorme por personagens, histórias, músicas (Só tenho músicas de jogos no meu MP3) e desenvolvimento. Até porque no game você participa, pois você joga, enquanto no animê você só assiste, ou no máximo lê um mangá. Há jogos que permitem que você tome decisões que podem mudar completamente o rumo da história. A maioria dos meus cosplays são de games e a maioria dos meus projetos de cosplay também são de games devido a este grande amor. Tenho vídeo-games super antigos e os jogo com freqüência até hoje. Sei apreciar um bom game independente de sua época e de seus gráficos.

B: Somos dois game maníacos, como a Lélis gosta de falar, e temos gostos parecidos quando se trata de jogos, o que facilita quando vamos montar algum cosplay. Sem falar que tenho preferência mais por jogos do que por animês, apesar de ter muitos cosplays de animês a fazer, tenho maior número de cosplays que têm origem em games. Mas é preciso tomar cuidado, nem sempre acho um jogo melhor que um animê, isso varia de acordo com os roteiros e personagens da série.

 

Cosnet: De que forma as suas atividades profissionais e outros hobbies influenciam suas apresentações de cosplay?

N: Eu tenho um gosto muito grande por musicais e peças de dança. Na hora de pensar em uma apresentação sempre acabo relacionando-a com alguma coisa que já vi em um musical ou pego um passo semelhante a um que já vi em algum espetáculo de dança. Isso deixa a apresentação um pouco mais teatral do que se tivesse apenas falas. Quanto mais tempo tenho para montar, mais pesquisas nesta área eu faço. Vejo vídeos e mais vídeos (risos). A nossa apresentação de NiGHTS teve influência de alguns musicais. Queria acrescentar a parte cantada também, mas infelizmente o tempo seria muito curto para apresentar todos os elementos do jogo e ainda ter tempo para eu cantar. Tive que abrir mão. Agora, eu não vejo como minha área profissional ajuda no cosplay, vejo o contrário. Atuando nos concursos você fica mais desinibido e acaba apresentando um trabalho melhor ou até mesmo se comunicando melhor com seus colegas de sala e professores. O cosplay se tornou uma atividade relaxante em minha vida, diminui o meu estresse do dia-a-dia, me dando mais forças e bom-humor para continuar com as atividades diárias não lúdicas (risos).

B: Depende, às vezes pode não influenciar, outras vezes pode e muito, depende da época que vai ser montada a apresentação, se coincide com época de provas e entrega de trabalhos, ou se é durante as férias por exemplo. É questão de disponibilidade de tempo. Mas apesar de ter diferenças grandes entre o cosplay e as atividades profissionais, como o estudo, o cosplay pode ajudar, por exemplo, dando muito mais facilidade ao apresentar um trabalho da faculdade, por ter menos medo de agir na frente de muitas pessoas, ou mesmo diminuindo o estresse do dia-a-dia. Apesar de algumas vezes perder a cabeça para completar um cosplay para uma determinada data, o cosplay tem sido quase uma terapia. Afinal, é uma diversão e faço porque gosto. Não é igual a faculdade que é uma obrigação, mas sim como foi dito, é um hobby, que vejo como o melhor hobby que tive na minha vida.

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Cosnet: Vocês tentaram duas seletivas fora do seu estado, por não haver uma em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, ao contrário do ano passado. Como vocês acham que isso influenciou no resultado das suas apresentações?

N: Acho que influenciou bastante. O peso de você tentar algo fora do seu estado tem dois lados. Você pode se sentir um peixe fora d'água no meio de cosplayers que você não conhece, por vezes famosos e ter que concorrer com eles pode te deixar aflito demais, o que acaba refletido na sua atuação no palco. Ou pode ser um incentivo para você mostrar o seu melhor e tentar provar para si mesmo e para outras pessoas que você é capaz de vencer em algum lugar onde nem fazem idéia de quem é você. No caso do AnimABC [Evento que acontece em São Caetano do Sul, região de São Paulo] estávamos tranqüilos, pois tínhamos ensaiado muito e acreditávamos no potencial de nossa apresentação. Infelizmente levamos 36 segundos para montar o cenário, o que nos fez perder muitos pontos e acabou não sendo daquela vez. Já no Kodama, a adrenalina de ser a nossa última chance, pois não teríamos mais condições de tentar uma vaga fora de nosso Estado por questões financeiras, nos empolgou muito. Era tudo ou nada, então acho que isso agiu de uma forma positiva em nós. Estávamos mais empolgados, e acredito que atuamos melhor no Kodama.

B: Nossa, vou dizer que influenciou muito. É muito mais estressante e pesado sair do seu Estado para tentar uma vaga do que tentar em Belo Horizonte mesmo, afinal tem gastos extras, encontrar um local para dormir, vários dias longe de casa, problemas deixados para trás que terão que ser resolvidos na volta, muitas vezes com atraso, etc. Influencia muito no psicológico, não é fácil ir a outro Estado tentar a vaga, é preciso raça e coragem, e às vezes, até mesmo um pouco de loucura (risos). 

 

Cosnet: O Estado de Minas Gerais tem grandes eventos de cosplay. Na opinião de vocês, o que levou os organizadores de eventos mineiros a não se interessar pelo WCS, e o que representa para os cosplayers de Minas não ter uma seletiva?

N: Eu não vejo razões plausíveis para eventos como o Anime Festival [da empresa Animecon] e o Animinas [da empresa Yamato] não se interessarem pelo WCS, que na minha opinião, é o melhor concurso de cosplay da atualidade. Já ouvi várias versões, de que ambas as empresas organizadoras alegaram não ter retorno com o concurso. Mas o WCS gera uma publicidade enorme, discussões em comunidades e fóruns. E se você fala de um evento onde vai haver uma eliminatória que pode te levar para o Japão e que fulano e sicrano querem participar, isso gera uma publicidade gratuita para o evento. Eu mesma, com a minha dupla do ano passado, a Rachel [Baptista], fiz uma publicidade gratuita para a Yamato, que foi quem nos acolheu em São Paulo. Eles nos trataram extremamente bem, e falamos o quanto foi bom para nossos amigos, que acabaram decidindo tentar se classificar em eventos da Yamato para poder ser bem tratados também. Isto é uma enorme publicidade, não? Ter vários cosplayers que estão preferindo concorrer no seu evento ao invés de concorrer no evento da concorrência para serem bem tratados é positivo. Isso tudo fica parecendo uma falta de consideração com os cosplayers daqui que têm um potencial incrível e que geralmente são tratados como qualquer coisa. Porém, todos nós sabemos que um evento que não tenha cosplayers não faz sucesso. Nós somos uma atração gratuita, não cobramos pelo show que produzimos, pelo contrário, nós gastamos para trazer diversão aos eventos de animê. Se os cosplayers não fossem tão importantes assim, os concursos de cosplay não seriam a atração mais esperada e mais concorrida do evento inteiro. Lembro-me no Animinas 2007 que tinha muito mais gente assistindo a eliminatória do WCS do que o show do Akira Kushida. Não vejo razões para que eles não invistam em um concurso tão bonito como o WCS. E fica tudo por isso mesmo: não investem no concurso, não se pronunciam nem nada. Se eles têm tanta razão assim para cortar um concurso como o WCS e deixar todos os mineiros esperançosos a ver navios, por que não fazem um comunicado oficial? Por que não se dão ao trabalho nem de se explicar? Somos diretamente atingidos por essas decisões, então eu acho, que por consideração aos cosplayers eles deviam dar pelo menos alguma explicação.

B: Na minha opinião, achei ridículo os grandes eventos de BH nem ao menos se esforçarem para trazer a vaga para a capital mineira. Além de ser uma grande jogada de marketing, muitos cosplayers daqui querem muito poder tentar, e muitos têm potencial para estar na final brasileira também. Mas acho que os organizadores vêem os cosplayers como pessoas que são à toa na vida, então pouco se importam. E deve ser lembrado que esses cosplayers ainda são atração desses mesmos organizadores, que nem podem se dar ao trabalho de dar uma chance para os cosplayers representá-los na final. E sei que não é caro para o evento pagar a passagem dos representantes, afinal, é uma grande estratégia de marketing, uma representação na final do WCS é uma atração a mais para o evento.

 

Cosnet: E quanto aos seus conterrâneos? Afinal, agora vocês representam um Estado inteiro sozinhos, ao contrário dos outros anos em que a presença mineira era em maior número.

N: A responsabilidade é enorme. Mas vamos dar nosso sangue se for preciso (Afinal, já fiz isso antes [risos] vide apresentação "caminhoneira" do ano passado) para honrar nosso Estado e nossos amigos, e outros cosplayers que não poderão participar por que não tiveram condições de bancar uma viajem. Vamos tentar fazer o esforço deles valer, pois muita gente tinha dupla, apresentação e cosplay pronto, só esperando o comunicado do dia e da hora das audições para o WCS. E agora também representamos Brasília, um Estado que nos acolheu super bem. Vamos honrar também nossos companheiros de lá. Caramba, representar Minas e Brasília, que loucura (risos).

B: Como a Lélis falou, teve muita gente que se preparou para tentar a eliminatória do WCS aqui em Minas, mas como não teve nem ao menos uma vaga, essas pessoas devem ter ficado frustradas e não devem mais ver o WCS como uma alternativa no futuro. Acho que foi um pouco caso com essas pessoas, que se esforçaram e esperavam por pelo menos duas vagas, como ocorreu ano passado. Espero mesmo que tenhamos vagas em Belo Horizonte ano que vem, pois é um Estado que tem muitos cosplayers bons.

 

Cosnet: Para terminar, quais as suas expectativas para a final deste ano?

N: Todo ano eu me surpreendo muito com a final e acho que já falei isso umas 500 vezes (risos). Fico ávida para ver o que os cosplayers vão aprontar e como vai ser o show da final que todo ano é melhor do que o anterior. Espero a final mais disputada até hoje, muita diversão no hotel, muita confraternização. Espero também que as duplas deste ano sejam mais sociáveis porque sempre tem uma dupla "gás nobre" (risos). Vai ser um show inesquecível que os 30 melhores cosplayers do País planejaram para vocês. E por contar com uma estrutura muito maior e melhor do que a Casa das Caldeiras [Espaço na região da Barra Funda onde foram realizadas as duas primeiras edições do WCS Brasil], vai ficar tudo ainda mais bonito. Boa sorte para todas as duplas e nos vemos na final!

B: Espero uma final bem disputada, são muitas duplas fortes, mas darei meu melhor. Acho que todos os finalistas têm chance, todos têm um ótimo potencial. Eu vejo a final brasileira do WCS como a mais difícil do mundo pelo nível apresentado pelos concorrentes. Acho que a final, por causa do nível dos concorrentes será um grande show, o que é o maior impacto do WCS.

Última atualização em Qui, 05 de Junho de 2008 12:04