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Entrevista com os vencedores do WCS 2008

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Entrevistamos a dupla vencedora da final internacional do World Cosplay Summit 2008, Gabriel Niemietz e Jéssica Campos.

{mosimage}No Brasil os representantes para o WCS são escolhidos em um sistema de eliminatórias, com etapas preliminares acontecendo em todo o país para escolher as duplas que irão disputar a final nacional, e assim lutar por uma vaga para representar o Brasil no Japão.

Cidade do Rio de Janeiro, Fevereiro de 2008. Foi ali, durante o Anime Center Verão 2008 que começou a trajetória de Gabriel Niemietz e Jéssica Campos rumo ao campeonato do WCS. A dupla se classificou para a final brasileira na primeira eliminatória em uma região próxima de onde moram, em São Paulo. Mesmo assim foi preciso viajar mais de 400km até o Rio de Janeiro levando os cosplays que usariam na eliminatória.

{mosimage}Na preliminar a dupla se apresentou como Jango e Jo, do anime Burst Angel (Bakuretsu Tenshi), personagens que os acompanhariam até a final internacional. O Cosplayers.net entrevistou Gabriel e Jéssica logo após a classificação da dupla, e a entrevista pode ser vista em inglês e português.

Cinco meses depois da classificação na etapa preliminar mais um desafio: competir na final brasileira com outras 14 duplas, escolhidas entre os melhores cosplayers do país. A final brasileira de 2008 aconteceu no dia 21 de Junho, em conjunto com as comemorações do centenário da imigração japonesa no Brasil. A grande final aconteceu no Auditório Elis Regina, que fica dentro do Parque Anhembi em São Paulo.

Gabriel e Jéssica conquistaram uma vitória apertada, com 240 pontos contra 235.5 da dupla que ficou em segundo lugar. A dupla usou os mesmos cosplays, Jango e Jo na final, porém o robô Jango, representado por Gabriel, foi totalmente reformado e melhorado, e passou a ter nada menos que 2,60m de altura.

Com a vitória a dupla conquistou o direito de representar o Brasil no Japão e competir com as duplas de mais 12 países, na final internacional em Nagoya. A final aconteceu no dia 3 de Agosto, quando então a dupla finalmente se consagrou campeã do World Cosplay Summit 2008.

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Entrevista com Gabriel e Jéssica

Após a vitória no Japão o Cosplayers.net entrevistou Gabriel e Jéssica, para saber como foi a viagem ao Japão, as dificuldades enfrentadas e principalmente como eles se sentem com a vitória.

 

Cosplayers.net: Depois que vocês conquistaram a vitória no Brasil, como foram os preparativos para a viagem ao Japão? 

- A Prioridade foi nos divertir, não se consegue ir ao Japão todo dia com tudo pago, então sinceramente esta era nossa prioridade, realizar o sonho de conhecer a "terrinha". Muita gente não acreditava em uma vitória brasileira por vários motivos, por ser um robô na terra dos robôs, por ser um país que ganhou há pouco tempo, porque eu [Gabriel] falo demais, mas se fosse fácil que graça teria?

 

Cosnet: Na final japonesa vocês apresentaram praticamente a mesma performance que vimos no Brasil. Na opinião de vocês a apresentação lá ficou melhor do que a daqui? Por que?

- Foi quase igual: invertemos os lados, colocamos uns leds a mais, o Jango estava com 2.70m, contra 2.60m quando nos apresentamos no Brasil, mas o resto foi igual. No início achava que tinha sido ruim em relação às outras apresentações que já tinhamos feito, inclusive a da final brasileira, mas depois de rever várias vezes, vejo que esta foi a melhor. A questão é que ja estávamos tão acostumados com essa apresentação que já nos cansamos de vê-la.

 

Cosnet: Vocês tinham um volume de coisas muito grande para transportar para o Japão. Como foi para vocês organizar a logística necessária para levar um robô de mais de 2m e ainda cenário, outros cosplays e bagagem pessoal?

- Pagamos uma boa graninha de bagagem extra, mas tudo foi recompensado e teve retorno, ainda bem.

 

{mosimage}Cosnet: E como foi a viagem em si? Foi noticiado que uma das duplas sofreu com um pequeno extravio de bagagem na chegada ao Japão. Vocês tiveram algum problema desse tipo, com peças danificadas ou algo do tipo?

- Muitas duplas tiveram, mas acho que o Jango foi o mais danificado: os ombros estavam esmagados, o pé arrebentou e o peito também. A cola abriu na viagem, mas sempre levo material pra reforma. Foi legal ser o unico concorrente do wcs na manhã da final arrumando o cosplay. Só tinha a organização, eu e a fila com mais de 5 mil pessoas. Mostrei o quanto brasileiro gosta de fazer cosplay, acho que ali realmente eu soube que ia ganhar, ninguém sofre tanto por nada.

 

Cosnet: Como vocês passaram os dias antes da final? Com uma agenda tão cheia quanto a que tiveram, foi possível relaxar e aproveitar os passeios ou vocês estavam mais focados em se concentrar para a final?

- As agendas eram cheias e rigorosas, porém tínhamos todas as manhãs livres. Entre 8h e 13h era sempre livre, além do primeiro e do penúltimo dias totalmente livres. Pudemos realmente conhecer o Japão, fazer compras, andar de trem, metrô, trem bala e visitar pontos turisticos.

 

Cosnet: Como foi a convivência com os representantes dos outros países e com a equipe da TV Aichi? Com quais duplas vocês tiveram mais contato?

-  Foi ótimo, nos enturmamos com todas as duplas. A mais isolada mesmo era a Dinamarca, mas com as outras era só festa.

 

Cosnet: Depois de ver os ensaios das outras duplas, qual foi a reação de vocês? Ficaram mais confiantes na vitória ou ainda não tinham idéia de qual poderia ser o resultado?

- Sabíamos o que tínhamos, e a nossa preocupação depois de ver o ensaios de todos era com nós mesmos. Sabíamos que se não errassemos nada, ficaríamos entre os três primeiros, mas o grande problema era que a subida ao palco era por escadas. Então não poderia subir com o jango vestido, eu teria de me vestir no palco atrás da cochia, porém teríamos somente cinco minutos para isso, pois só poderíamos ir para cochia durante a apresentação da dupla anterior a nós. Ou seja, só teriamos três minutos da apresentação da dupla à nossa frente (no caso Cingapura), e dois minutos de conversa dos apresentadores com a dupla. Foi muito difícil, nessa hora o Igor, nosso acompanhante tradutor, da JBC, é que me ajudou a vestir o Jango, pois a Jéssica teria que estar do outro lado do palco pronta para entrar.


Cosnet: Como foram os últimos momentos antes da apresentação de vocês?

- Sufoco, agoniante, mas sinceramente algo que me deu muito ânimo foi ver lá no fundo uma bandeira do Brasil no alto balançando. Aí era entrar para quebrar tudo, inclusive os tabus.

 

Cosnet: Qual a sensação de subir em um palco no Japão, ao lado dos melhores cosplayers de cada país que participa do WCS?

- Saber que você está trazendo nas costa todo um Brasil, todo o seu país, mesmo que não estejam torcendo por você, que não gostem de você, ou que apoiem tudo que você faça, é lindo.

 

Cosnet: E qual a sensação de ver seu nome sendo anunciado nesse mesmo palco, como campeões mundiais do WCS 2008?

- Saber que vc é "f*** pra c******" não tem preço.

 

Cosnet: Gabriel, desde antes de ganhar aqui no Brasil você já se mostrava muito confiante na vitória. De onde veio toda essa confiança, e como você acha que isso ajudou na trajetória de vocês até a conquista do título?

Gabriel: Podem me chamar de metido ou coisas do gênero, mas eu sei a competência e a qualidade que tenho. Esse meu lado metido que alguns chamam de determinação, eu acho que é visão e pensamento positivo. Dizem que se você quer mesmo uma coisa e pensa muito naquilo, não tem como não conseguir. Acho que isso é a minha forma de agir em tudo, acho que por causa dessa minha maneira sempre estarei um passo à frente de qualquer um que tenha dúvidas sobre si mesmo.

 

Cosnet: Você cumpriu o que havia prometido quando ganhou a final nacional, e levou a bandeira do Brasil para o palco no Japão. Esse gesto simbólico com certeza significou muito para os brasileiros. Como você se sentiu carregando a bandeira do Brasil naquele momento, e o como acha que isso vai repercutir no mundo todo?

Gabriel: Dizem que meu ego é grande, mas meu ego é muito pequeno em relação a meu patriotismo. Esse WCS não foi vencido para mim ou para a Jéssica, ele foi para o Brasil, para que o mundo saiba o que os brasileiros já sabem: os melhores cosplayers estão aqui, mas todos tem a mania de achar a grama do vizinho mais verde. Alguns gostam de admirar seu ídolos cosplayers, eu preferi me tornar um ídolo cosplay.

 

A caminho do palco, Gabriel mostra todo seu patriotismo. Vídeo: Igor Massami.

 

Cosnet: Depois de conquistar quase todos os prêmios importantes para um cosplayer no Brasil e agora no exterior, quais os seus planos para o futuro? Você tem uma participação programada na final internacional da Yamato Cosplay Cup, onde você já adiantou que pretende usar o Hulk. Ainda continua com esse projeto? E depois disso, quais os seus planos como cosplayer?

Gabriel: Hulk será o fechamento com chave de ouro, já estabeleci um patamar no cosplay, que talvez daqui uns 10 anos alguém consigua igualar. Mesmo que eu não ganhe o YCC Internacional não importa, pois garanto que será a apresentação que mais fará a platéia vibrar, principalmente com o final. Ou seja, será meu presente ao público. Também temos o WCS 2009 para finalizar, e depois vou parar de competir. Não se estraga um legado criado, quando se chega no topo, a tendência é cair ou ser lembrado.

 

Cosnet: Jéssica, pela sua reação quando foi anunciado o resultado no Japão, você aparentemente ficou mais emocionada quando venceu aqui no Brasil do que lá. Como você se sentiu em cada uma dessas ocasiões, e o que significou cada uma delas para você?

Jéssica: Realmente fiquei mais emocionada com a vitória no Brasil do que a do Japão. No Brasil os amigos realmente acompanharam online e minha família e meus amigos estavam lá pessoalmente assistindo. Sem contar que abri mão de várias coisas, como um emprego, para me dedicar somente à final. Ver que tudo deu certo e que realmente ganhamos foi muito emocionante, pois todos os meus esforços valeram a pena. Na final japonesa, além de estar super cansada por causa das atividades diárias que tinhamos e o grande calor, foi uma surpresa ter ganho, fiquei muito feliz, mais foi diferente não ter pessoas queridas por perto para comemorar no ato.

 

Cosnet: Antes de sua participação no WCS você não participava regularmente de concursos. Com a vitória você pretende competir mais? Quais os seus planos como cosplayer para o futuro?

Jéssica: É, realmente nunca fui muito de participar de concursos, e logo de primeira quando tive a oportunidade de participar junto com o Gabriel já ganhamos. Tudo deu muito certo e na minha opinão não houve premiação melhor do que a que vivemos nesses ultimos três meses, desde os ensaios, as vitórias, até os passeios e compromissos. Minhas participações em concursos ainda continuarão bem raras, será mais normal me ver participando dos Teatros Cosplays e concursos livres e em grupo. Agora, em relação aos meus planos, não muda nada em relação aos que eu tinha, tirando a parte que agora meus cosplays se tornam referências internacionais. Isso me deixa com mais vontade ainda de fazer mais e mais cosplays e de fazê-los todos muito bem feitos, sonhando sempre com um cosplay perfeito.

 

Cosnet: Na sua opinião, qual foi o fator decisivo para a vitória de vocês no Japão? Qual você acha que foi o diferencial da dupla brasileira que a fez superar todas as demais?

Jéssica: A apresentação em si, os detalhes da apresentação, os detalhes nos nossos cosplays e a interação entre robô e "humano", mostrando nas apresentações que um dependia do outro. Você não ve muito por aí apresentações de robô que interagem assim com seu parceiro. Normalmente a pessoa fica falando e fazendo algo enquanto o robô fica só se mexendo no lugar com movimentos bem restritos. O Jango faz coisas bem legais e inesperadas, e bem criativas!

 

Veja o vídeo da apresentação de Gabriel e Jéssica no Japão.

Vídeo: "Kuroitachi"

Última atualização em Qui, 07 de Agosto de 2008 08:19